
acho que nunca estive tão cansado
e não se trata apenas de cansaço físico, mas mental.
ainda faltam algumas semanas para o término do semestre na faculdade
e depois começa (outra vez?) o difamado horário natalino
então viverei mais um mês fingindo sorrisos nos corredores do trabalho
respirando consumo mascarado com esperanças de um ano melhor
champagne from last new-year
pedi uma câmera fotográfica e a agenda (nunca lembro de comprar) para o natal
espero que alguma boa alma esqueça de todos os problemas familiares
e imerso no clima fantasioso da época, me presenteie
seria bom
eu vou aproveitar e comprar algumas coisas novas
quem sabe até ajudar com a decoração do pinheiro, que já está no meio da sala de jantar
aguardando os cartões de votos positivos que insistem em se renovar a cada ano.
como eu queria um livro, daqueles me façam sentir novamente.
quanta bobagem.
acabo por divagar sobre este tipo de assunto quando recordo os dias
quando noto o incansável signo de möbius sobre a minha cabeça,
e sinto que estamos envelhecendo.
porque, de repente o grande dilema não são mais os três reais do cinema no sábado
tampouco o novo programa para baixar músicas;
de repente não tenho mais 15 anos
e a brincadeira agora é providenciar o dinheiro para as contas que nunca deixam de chegar.
é engraçado pensar que um dia eu ri, e não entendi
quando a pequena disse que 'apesar de termos feito tudo o que fizemos, ainda somos os mesmos, e vivemos como nossos pais'
e seremos.
eu repreendi minha própria mãe por ter comprado brinquedos para o meu irmão mais novo
e não tive mais tempo para brincar com o cachorro
e nossa! aonde é que fomos parar? aonde eu fui parar?
eu fumei três malditos cigarros hoje porque estava estressado com notícias desagradáveis sobre um projeto.
tenho medo de imaginar como serei no futuro
talvez eu apenas recorde. memória, passado.
talvez eu trabalhe em prol de um futuro
e então meu presente não mais existirá e teremos apenas móveis cobertos por lençóis brancos.
parece dolorido visto daqui.
desci do ônibus na chuva, no sleep, som baixo
deixei nina e a chuva cantarem
talvez eu realmente precise ficar um pouco sozinho
abandonar a realidade
e reaprender a ouvir.

