segunda-feira, 16 de novembro de 2009

reticências


acho que nunca estive tão cansado
e não se trata apenas de cansaço físico, mas mental.
ainda faltam algumas semanas para o término do semestre na faculdade
e depois começa (outra vez?) o difamado horário natalino
então viverei mais um mês fingindo sorrisos nos corredores do trabalho
respirando consumo mascarado com esperanças de um ano melhor
champagne from last new-year
pedi uma câmera fotográfica e a agenda (nunca lembro de comprar) para o natal
espero que alguma boa alma esqueça de todos os problemas familiares
e imerso no clima fantasioso da época, me presenteie
seria bom
eu vou aproveitar e comprar algumas coisas novas
quem sabe até ajudar com a decoração do pinheiro, que já está no meio da sala de jantar
aguardando os cartões de votos positivos que insistem em se renovar a cada ano.
como eu queria um livro, daqueles me façam sentir novamente.
quanta bobagem.
acabo por divagar sobre este tipo de assunto quando recordo os dias
quando noto o incansável signo de möbius sobre a minha cabeça,
e sinto que estamos envelhecendo.
porque, de repente o grande dilema não são mais os três reais do cinema no sábado
tampouco o novo programa para baixar músicas;
de repente não tenho mais 15 anos
e a brincadeira agora é providenciar o dinheiro para as contas que nunca deixam de chegar.
é engraçado pensar que um dia eu ri, e não entendi
quando a pequena disse que 'apesar de termos feito tudo o que fizemos, ainda somos os mesmos, e vivemos como nossos pais'
e seremos.
eu repreendi minha própria mãe por ter comprado brinquedos para o meu irmão mais novo
e não tive mais tempo para brincar com o cachorro
e nossa! aonde é que fomos parar? aonde eu fui parar?
eu fumei três malditos cigarros hoje porque estava estressado com notícias desagradáveis sobre um projeto.
tenho medo de imaginar como serei no futuro
talvez eu apenas recorde. memória, passado.
talvez eu trabalhe em prol de um futuro
e então meu presente não mais existirá e teremos apenas móveis cobertos por lençóis brancos.
parece dolorido visto daqui.
desci do ônibus na chuva, no sleep, som baixo
deixei nina e a chuva cantarem
talvez eu realmente precise ficar um pouco sozinho
abandonar a realidade
e reaprender a ouvir.

terça-feira, 10 de novembro de 2009

re.:

agora vejo isso como uma grande preguiça de escrever,de contar o que está havendo, pois de certa forma, se não lhe conto, não me obrigo a pensar.
agora vejo que nem sempre faço o que é melhor para mim mesmo.
não vejo o mal que causo permitindo toda essa fuga. É, eu fugi por um bom tempo.
agora eu tenho 19 anos e não tenho emprego.
sabe, talvez seja exatamente disto que eu fuja... toda essa incerteza, um assombro.
acordar de repente sem saber como será daqui a um mês ou mais, ou o que será feito dos meus poucos amigos, ou o que será feito de mim. Se eu vou casar e ser feliz para sempre ou vou aprender a tocar piano.
todo esse medo, que agora eu sei, carolinas também sentem, dificultam demais as coisas. Fazem pesar cada decisão, e o que parecia ser uma roda gigante se torna uma montanha russa.
será que eu vou conseguir um estágio?
eu conheci uma menina que tem o mesmo nome da psicóloga que eu freqüentava quando pequeno.
e o meu quarto nunca pareceu tão verde (verde água ou azul turquesa?).
não que todas essas coisas tenham alguma ligação.

p.s.: escrevi feio, estou destreinado.

quinta-feira, 21 de maio de 2009

alô?

-pois é, dona epifânia, andei lendo aquelas coisas todas e achei um bando de erros de português, nossa. mas parece que ele voltou.

segunda-feira, 5 de janeiro de 2009

para suzan, que está longe:

primeiro dia de trabalho do ano
sozinho, novamente
férias da faculdade
caminhar na estrada
um filme, talvez
music (inclua safe trip home).
e hoje acordei com dores no corpo, gripe forte
o telefone não tocou mais.
enfim
você sabe
tudo gira muito rápido
let go, so let go, i’m jumpin
‘cause there’s beauty in the breakdown
mas
você foi embora, e por mais que seja feliz agora
machuca
e talvez não seja tão bom amigo quanto pensei que pudesse ser
destruí um coração
eles não voltaram mais
aí as coisas vão ficando vazias demais
dá saudade de tudo e dos carinhos que se foram
dá vontade de muitos mais e muitos muitos
vontade de excesso e barulho, de futilidade (algo meio hollywood)
de soltar a corda e cair
e você não está aqui pra me segurar e dizer
que nada disso faz parte do que eu sou e
essas coisas passam.
então, de repente
minha vida está estagnada em algum lugar do mapa
lenta e sem surpresas
como dido
como sempre

e eu não encontro o maldito sapo em lugar algum.

fonte:

ao lado do cipreste branco
à esquerda da entrada do inferno
está a fonte do esquecimento
vou mais além, não bebo dessa água
chego ao lago da memória
que tem água pura e fresca
e digo aos guardiões da entrada
"sou filho da terra e do céu"
dai-me de beber, que tenho uma sede sem fim
olhe nos meus olhos, sou o homem-tocha
me tira essa vergonha, me liberta dessa culpa
me arranca esse ódio, me livra desse medo
olhe nos meus olhos, sou o homem-tocha
e esta é uma canção de amor

metal heart, again

não, não tenho mais vontade de falar sobre os nomes que conheci
talvez sejam somente nomes e todo o sentimento
seja somente meu,
sou eu.
ss ligações que nunca vem
e as cartas que nunca foram respondidas
evoluem a uma “espécie de não-precisar-de-ninguém”
muito terra ou muito lua, talvez
só quis permitir raiva e saudade
desejei amor e faz-de-conta
“mas as coisas não assim, não é vovó?
são coisas que a gente não escolhe nunca.”
tenho medo de me perder
um coração de metal, vazio.
(perdição ou salvação?)
eu não sei.

aniversário:

minha cabeça não para
não que eu queira, mas preciso
tanto a dizer, e calar.
então eu alcancei aquilo que todo adolescer fantasia
são dezoito e sinto como se não fosse nada.
é tudo e tampouco.
confuso ligeiro leve
e o mundo segue girando
(garrafas de vodka e um sorriso bêbado).
veja:
perdi aquela revolta e aprendi a me conformar
acho que não sou capaz de modificar o mundo,
talvez não queira.
estou estudando, estou vendo e ouvindo.
perdi aquele conformismo e aprendi a gritar.
eu ainda posso!
o sangue flui.
sabe, eu tenho uma caixa de coisas antigas
ainda gosto de vento, de fotografar
sou criança quando quero, sou adulto quando tenho de ser.
e sempre quero que meu cabelo seja mais comprido do que é.
ainda choro sem motivo, quando chove
sim, ainda escrevofaçodramaesintosaudade
fantasiocoisasfalobesteirasepeçodesculpasirrefreavelmente
sesenhoescutosonsestranhosefalocomdesconhecidos
cometoerrosemearrependo
brincoassistoleioefalosemparar
eu lembro de todos os que estão aqui sem mais estar
(quero visitá-los em janeiro)
e conheci pessoas completamente diferentes. Outros mundos.
eles me fazem forte, os sonhos que nunca morrem.
pensei:
eu não sei mais se sou o mesmo.
mas digo que nunca fui tão eu mesmo, nunca estive tão aqui,
quanto hoje.

ontem plantei uma orquídea ao lado da janela
fiz bolo de chocolate
recebi cinco mensagens, duas ligações
e briguei de novo com meu pai.